Por Serras e Montados.
Blog destinado aos amantes da natureza e da caça
sexta-feira, 19 de abril de 2013
A Caça.
Uma das actividades mais ancestrais praticada pelo homem que se prolongou no tempo. Intrinsecamente ligada á nossa espécie e imutável no âmago da sua prática, tendo mudado sim, o propósito com que é praticada.
Inicialmente, a subsistência era o propósito e é inegável que na sociedade modernizada em que vivemos actualmente, esse contexto desapareceu, embora em certos locais do mundo, a caça como forma de vida, subsistência e meio de exploração de recursos seja imprescindível e indissociável do próprio Homem.
Colocadas tais considerações e assumindo que não existe uma necessidade prática e vital de dependência directa desta actividade, a explicação da legitimidade desta paixão poderá tornar-se difícil e muitas vezes pouco pacifica no contexto cada vez mais citadino e menos ligado á terra, com uma inegável perda de identidade/cultura, que se impõe. Trata-se de retirar uma vida, com um valor inegável enquanto seres sujeitos, tal como nós, ao medo, á dor e a todos os instintos primários de conservação da vida. Fazer isto não é possível de uma perspectiva de igualdade para com esses seres, mas sim de respeito. Considero tal igualdade inexistente, unicamente por aquilo que nos torna humanos, a Razão/Racionalidade.
O Consumo de carne poderá não ser uma necessidade (?), mas é um direito do qual não estou disposto a prescindir por razões biológicas ou questões culturais, vulgo o prazer intrínseco desse acto. Assumindo isto, tanto é aceitável a utilização para o fim pretendido de um animal produzido e destinado a consumo, como a colheita de uma espécie bravia com o mesmo propósito, tendo esta última a garantia de uma vida livre e a possibilidade de fuga e de conservação, ao contrário de um mera mercadoria (e erradamente tratada como tal) proveniente da produção animal.
A caça do ponto de vista moderno é também uma forma inegável de conservação da natureza, muitas vezes posta de parte por pessoas exteriores ao meio e á realidade cinegética. Tomar a caça apenas e só como o fim da vida, é ignorar a sua verdadeira essência e desconsiderar o trabalho de quem tanto dá para colher apenas uma pequena parte, entendendo assim a caça no seu todo.
É uma forma de obtenção de um prazer e satisfação muito próprios, que não resulta da morte, mas sim, deve culminar com ela. Tem na sua verdadeira essência e em primeira instância a descoberta, as horas, as experiências e aprendizagens a campo assim como o trabalho de descoberta e a favor das espécies bravias, que numa fase posterior nos aguça instintos e através do conhecimento adquirido nos coloca numa ténue vantagem ,que nos impele e nos permite caçar, não por necessidade mas por vontade, dando expressão ao nosso verdadeiro ser, parte racional, parte animal. Fugir a isto, se assim o sentirmos é fugir aos instintos primários que inegavelmente nos acompanham, e negar a nossa existência enquanto um todo e enquanto HOMEM.
Caçar e matar é distinto e as águas devem ser separadas. Qualquer caçador digno desse nome, condena o prazer obtido unicamente e só pelo valor da morte, sendo inegável que existem práticas erradas associadas a caça, como em todas as actividades do homem moderno, por mais nobre que possa ser a intenção da mesma.
Existe uma beleza inigualável e incomparável nas emanações e sentimentos que a natureza em todas as suas formas desperta. A caça não é mais do que uma forma de a compreender num todo, não dissociando a vida da morte, pois tal não é possível e a compreensão desse todo exige uma grande permeabilidade e disponibilidade, que se existir, nos vai presentear com sensações e experiências que bem pensadas e avaliadas, nos enriquecem e moldam enquanto indivíduos.
Rafael M. Ribeiro
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